domingo, 18 de outubro de 2009

A História da Educação

A História da Educação
Aline Krahl¹
Daniela Letícia Rodighero¹
Desde sua criação, o homem foi transformando-se, adquirindo experiências e conhecimentos, produziu culturas que se ampliam até hoje. Em função disso, foram criadas as escolas, instituições especializadas em produzir e socializar conhecimentos. A educação que, durante milênios desenvolveu-se através da vida, foi deixada de lado, e passou-se a usar a educação formal.
Observando a história da educação brasileira, percebe-se que aqui aconteceu o mesmo, o conhecimento de mundo e a cultura que os índios possuíam e transmitiam entre si foram deixados de lado com o descobrimento, a partir de 1500.
A educação no Brasil se inicia em 1549 com a chegada dos jesuítas, que aqui permaneceram até 1759, comandando a educação com um padrão de educação próprio da Europa, com base nos métodos e conteúdos da Ratio Studiorum².
Em 1759, os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal, primeiro-ministro de Portugal (1750-1777), que defendia “idéias do despotismo esclarecido, o qual empreendeu reformas no campo educacional, iniciando uma luta pela escola pública” (GADOTTI, 1994, p.18).
A partir de 1808, com a vinda da família real para o Brasil, a educação limitou-se à formação de elites governantes e dos militares, sendo criados o curso de Cirurgia e Anatomia (1808), a Academia Real da Marinha (1808), a Biblioteca Pública (1810) e cursos técnicos e artísticos.
Após a Independência (1822), foram criadas no Brasil, em 1827, em Recife e em São Paulo, duas faculdades de Direito.
De acordo com a Constituição do Império (1824), cabia aos governantes das províncias (hoje estados) legislar sobre instrução pública. Apesar de ser gratuita a instrução primária para todos, o ensino fundamental permaneceu em completo abandono e, ao fim do Império, “o país tinha aproximadamente 14 milhões de habitantes, dos quais 8% eram analfabetos.” (GADOTTI, 1994, p.19).
Durante a Primeira República (1889-1930), questionou-se o modelo educacional herdado do Império. Nesse ano, ainda foi criado o Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, mas, dois anos depois, esse ministério se extinguiu, passando os assuntos educacionais para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores.
Nesse período também, houve a descentralização da instrução pública primária e secundária no Distrito Federal e a instrução superior, artística e técnica em todo o país.
A escola primária foi organizada em duas categorias: de 1º grau (crianças de 7 a 13 anos) e de 2º grau (crianças de 13 a 15 anos), esta com duração de sete anos. O nível superior foi afetado nos ensinos de engenharia, direito, medicina e militar. “Uma das intenções era tornar os níveis de ensino „formadores‟, [...] com vistas ao ensino superior.” (RIBEIRO, 2000, p.73). Para se atingir o objetivo no ensino secundário, por exemplo, foi
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¹ Acadêmicas do primeiro período do Curso de Letras da UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC Campus Xanxerê.
² De acordo com Joaquim Ferreira Gomes (1995 apud POMBO), é uma lei orgânica que se ocupa do conteúdo do ensino ministrado em colégios e universidades. Impõe métodos e regras a serem observados pelos responsáveis desses colégios e universidades.
criado o exame de madureza, destinado a verificar se o aluno tinha conhecimento necessário ao término do curso.
A outra intenção era fundamentar a formação na ciência, substituindo a predominância literária pela científica.
Em 1924, surge a ABE (Associação Brasileira de Educação), que “impulsionou o movimento renovador da educação, culminando com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) em favor do ensino fundamental público, laico, gratuito e obrigatório” (GADOTTI, 1994, p.19).
Marcaram esse período também as numerosas reformas educacionais que tentavam estabelecer a estrutura e o funcionamento do ensino básico e superior:
A Reforma Benjamin Constant (1890), a Reforma Epitácio Pessoa (1901), a Reforma Rivadávia Correia (1911), a Reforma Carlos Maximiliano (1915) e a Reforma João Luís Alves (1925), entre outras realizadas pelos estados. A revolução de 1930 trouxe importantes transformações no campo educacional. Houve a criação do ministério da Educação e a elaboração do capítulo da educação na Constituição de 1934.
O primeiro ministro da educação criou Estatuto das Universidades Brasileiras e é criada, em 1934, a Universidade de São Paulo. A Constituição de 1937 introduziu o ensino profissionalizante e, em 1942, surgiram as Leis Orgânicas de Ensino Secundário.
Em 1948, o então ministro da educação encaminhou o primeiro projeto da LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que só foi sancionada em 1961.
O regime militar destacou-se no campo educacional por duas reformas: a do Ensino Superior (1968) e a do Ensino Básico (1971), que passaram a chamar-se de 1º e 2º Graus.
O governo criou em 1967 o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), para acabar com o analfabetismo em dez anos. De acordo com GADOTTI (1994, p. 21), em 1970, o índice oficial de analfabetos no Brasil era de 32,05%. Em 1980, o censo do IBGE ainda registrava uma alta taxa de analfabetismo: 25,5% entre pessoas de 14 ou mais anos de idade.
Para muitos educadores brasileiros, a década de 80 é considerada perdida, pois, apesar das grandes oportunidades educacionais, a qualidade diminuiu, houve grandes índices de evasão e repetição.
A partir da constituição de 1988, a educação se tornou um direito de todos, dever do Estado e familiar, visando ao pleno desenvolvimento do estudante.
Esperava-se que, nas últimas décadas, fossem tomadas medidas e apresentadas políticas sociais que apontassem soluções para essa realidade, mas as perspectivas não foram animadoras.
O ano de 1991 foi marcado pelo abandono da educação, mas o discurso oficial de 1990 prometia uma “revolução na educação”. Isso não aconteceu. O grande projeto anunciado naquele ano, o PNAC (Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania), para erradicar o analfabetismo, foi esquecido.
O setor privado, devido à inflação desenfreada, chegou a anunciar aumentos de até 500%. Por conta disso, vários alunos de escola privada procuraram escola pública em 1992.
Para muitos, a crise escolar se transformou numa desculpa para o imobilismo. A escola cria ilusões que se desfazem na realidade. Para encarar a crise escolar, a escola deve levar em conta o cotidiano, responder às necessidades reais e concretas de hoje, numa educação voltada para o futuro.
Para as camadas populares, o cotidiano significa a busca de qualidade de vida. Buscam uma escola com interesses que atendam suas necessidades concretas de trabalho, lazer, saúde, alimentação, esporte, etc.
Como a escola se mantém fossilizada num mundo que não pára de inovar, a escola do terceiro milênio precisa tornar-se um lugar mais democrático, alternativo e principalmente estimulante. Os professores têm que estar preparados para transformar um aluno em estudante,
De acordo com a revista Época (nº 466, 23 de abril de 2007, p. 91), a escola, como a que conhecemos hoje, é fruto de uma sociedade forjada no século XVIII, quando a Revolução Industrial e o fortalecimento dos estados modernos criaram a necessidade de formar cidadãos qualificados para um novo mercado de trabalho. Assim surgiu um modelo de escola que, pela inclusão das massas, tornou-se preciso a divisão dos alunos em séries, a especialização dos professores em disciplinas e a sistematização de um ensino básico, onde o aluno era preparado para um mercado de trabalho que valorizava a mão-de-obra, o que hoje é feito por máquinas. Na década de 70, eram necessários 108 homens, durante 5 dias, para descarregar um navio no Porto de Londres. Hoje, com os contêiners e os guindastes modernos, esse trabalho é feito por 8 homens, em um dia.
Desde o início do século, a cabeça dos funcionários é o que os tornou interessante, não basta mais para o trabalhador saber cumprir ordens e entendê-las. Ele tem que ser alguém que saiba produzir e estar preparado para as mudanças.
A falta de instabilidade do mundo moderno tem uma implicação:o ensino não pode mais ser um conjunto de conhecimentos que servem apenas para preparar para o vestibular ou para o mercado de trabalho. A escola deve preparar o indivíduo para a vida inteira ou, até mesmo, torná-lo uma caixa de ferramentas básicas para enfrentar o século XXI. As pessoas precisam de algo diferente: estarem prontas para adquirir e colocar em prática conhecimentos o tempo todo.
Assim como o mundo, “... a escola absorveu uma quantidade enorme de conhecimento e informações, mas apesar de ter muito conteúdo, ela ensina pouco.”, diz Luciano Mendes, do Grupo de Estudos Pesquisas em História da Educação da UFMG, para a revista Época (nº466, 23 de abril de 2007, p. 91). Ele afirma que, quando a lição não faz sentido para a vida do aluno, ele não a absorve, por isso a escola tem a fundamental função de ensinar a filtrar e encontrar o que interessa; ensinar a escolher.
Vani Kenski, especialista em tecnologia da USP, na revista Época, (nº 466, 23 e abril de 2007, p. 92), afirma que “... a tecnologia, é uma ferramenta inicial, serve para o aluno pesquisar, entrar em contato com o que ele precisa. Depois entram o professor e o trabalho em grupo, para ajudá-lo a entender.” Uma das premissas dessa nova escola é a intimidade com a tecnologia. Saber usar computadores, lousas eletrônicas e programas educativos é hoje como conhecer o alfabeto.
As nações mais desenvolvidas já acordaram para a necessidade de modernizar o ensino. Segundo matéria da revista Época (nº466, 23 de abril de 2007, p. 92), nos Estados Unidos foi implantado o programa “No Child Left Behind” (Nenhuma Criança Para Trás), que distribui bônus às escolas que alcançam metas no ensino de matemática e inglês. A Espanha inovou a educação na década de 90: pôs fim ao ensino por séries; criou um sistema e disciplinas optativas e aulas profissionalizantes, atendendo tanto alunos que irão para a faculdade quanto os que irão direto para o mercado de trabalho; e várias disciplinas foram usadas em áreas do conhecimento, sendo comum que um aluno assista às aulas de História, Espanhol e Filosofia com o mesmo professor. “A Espanha e a União Européia aumentaram
as horas de aula não para dar mais conteúdo, e sim para levar a classe a museus, viagens e debates”, afirma Miguel Arroyo. O caso da Espanha é o mais aplicável para o Brasil.
Na escola, tornou-se necessário propiciar uma convivência mais respeitosa, igualitária e democrática entre os alunos e, estes com seus professores. Um exemplo de forte caráter autoritário e repressivo que são tomados nas escolas para manter a ordem e a disciplina é impedir comportamentos agressivos e violentos. É evidente que isso contribui muito pouco para a inovação educativa.
No Brasil, não se faz necessária apenas uma reforma no ensino, mas também, a reforma do professor. Ele necessita mudar seus pensamentos, seus hábitos e atitudes.
Referências Bibliográficas:
ARANHA, Ana. O que as escolas precisam aprender. Revista Época. Nº 466, p. 90-98, Abril. 2007.
FRANCO, Creso; KRAMER, Sonia. Pesquisa e educação: História, escola e formação de professores. 1ed. Rio de Janeiro: Ravil. 1997. 276p.
GADOTTI, Moacir. Organização do trabalho na escola: Alguns pressupostos. 2ed. São Paulo: Ática. 1994. 100p.
POMBO, Olga. Ratio studiorum. [199-]. Disponível em: Acesso em 01 mai. 2007
RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da educação brasileira: a organização escolar. 16ed. Campinas: Autores Associados. 2000. 207 p.
SAVIANI, Demerval. Educação brasileira: Estrutura e sistema. 8ed. Campinas: Autores Associados. 2000. 161p.

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